Este primeiro post vai contar nossa viagem ao norte. Não sabemos ao certo para onde e nem que cidades iremos conhecer. Estipulamos o retorno para Bologna na quarta-feira. Até lá, vamos tentar visitar algumas cidades menorzinhas. Afinal, para conhecer um país é preciso conhecer, também, as pequenas cidades e fugir dos cartões postais. É o que tentaremos fazer neste passeio. Esse diário vai ser atualizado dia a dia, com pequenos posts.
Sábado, 19 de fevereiro de 2011
Acordamos cedinho e fomos rumo à estação. Lá decidimos nosso primeiro local de viagem:
Verona. E lá fomos nós. Mais uma vez
persi, compramos bilhete para um trem regional e embarcamos num Freccia Argento. Estavamos achando estranho aquele trem todo bonito (e lotado). Sem assento para ocupar, sentamos no chão e fomos curtindo a viagem daquele jeito. Até que o fiscal nos informou que haviamos pego o trem errado (de novo) e que teriamos que pagar a diferença do valor das passagens. Disse ele: vocês devem pagar 22 euros cada um, mas como são brasileiros podem pagar só 16 euros para os dois. Ok então. Batemos um longo e divertido papo com o fiscal simpático até chegar em Verona.
Verona é linda de verdade! Engana-se quem pensa que a cidade se resume à Arena e à Casa da Julieta. A paisagem, a arquitetura, o rio que corta a cidade também são atrações à parte. Conhecemos um brasileiro super bacana que nos acompanhou pelas andanças e nos fez matar a saudade de falar português. Veja mais detalhes de Verona neste post.
Saímos de
Verona no final da tarde e rumamos parra uma cidadezinha chamada
Bassano del Grappa. A gente não fazia ideia de como essa cidade era. Tinhamos como informação, apenas algumas linhas de um guia de viagens. Rumamos para cá (onde escrevo agora).
Fizemos conexão em Padova, passamos por cidades minúsculas e curtimos o céu cor de rosa do fim de tarde... Chegamos em
Bassano del Grappa e ficamos de queixo caído com a cidade. É linda! Charmosa, diferente, pequena... E as pessoas, muito simpáticas.
Saimos para conhecer a noite da cidade e nos surpreendemos com o movimento dos bares e das ruas. Comemos uma pizza maravilhosa e voltamos caminhando para o hotel (a lua está simplesmente perfeita hoje).
Amanhã vamos acordar cedinho para fotografar e curtir bem o dia. Talvez a gente vá até
Torrebelvicino, um vilarejo aqui perto onde meu bisavô nasceu. Só precisamos descobrir como se faz para chegar... ainda não sabemos, mas amanhã eu conto.
Domingo, 20 de fevereiro de 2011
O dia hoje acordou modorrento. Nublado e garoando. Acordamos cedo e fomos para o café da manhã. E adivinhem? O café daqui do hotel é muito bom. O primeiro bom café que encontramos. Como sempre buscamos os hotéis mais baratos, sempre encontramos algumas surpresas, como um café terrível, uma calefação que não funciona ou uma localização duvidosa.
Fomos até a estação e pegamos um ônibus para a cidade de Schio, para de lá seguir a
Torrebelvicino (aqui as cidades são recortadas por montanhas que impedem a passagem de trem ou aumentam em muitos quilômetros a distância). A viagem de ônibus durou pouco mais de uma hora e permitiu observar a arquitetura e a paisagem, as quais por várias vezes, me lembraram Jaguari e a Serra Gaúcha. Tanto a família da minha mãe como a do meu pai são daqui da região do Vêneto, então essa região me remete a algo familiar.
Chegamos em Schio e caminhamos um tanto até encontrarmos um táxi para nos levar a
Torrebelvicino. Para quem não entende a minha insistência em conhecer
Torrebelvicino, lá foi a cidade que meu bisavô paterno nasceu. Estive em contato com esta
comune algumas vezes para solicitar certidões e documentos (em função do processo de cidadania). Queria muito conhecer o lugar, e, quem sabe, encontrar algum parente ou qualquer coisa para satisfazer minha ‘curiosidade genealógica’.
A
comune é minúscula e encravada entre as montanhas. Aliás, são algumas casas velhas e muitas e muitas montanhas. Ninguém nas ruas, nenhum bar ou restaurante aberto, nem comércio, nada. Em menos de uma hora já havíamos visto tudo, inclusive o cemitério. Bom, após esse ‘tour afetivo’ e passada a frustração de não ter encontrado nenhum ‘Borsa’ (vivo ou morto) na cidade, voltamos para Schio e de lá de volta para Bassano. Durante à noite nos despedimos da cidade com mais um passeio noturno, com direito à cerveja Elephant da Carlsberg. Alguém já tomou? Eu adorei. Amanhã vamos subir mais um pouquinho. Talvez para Cortina d’Ampezzo. Baci e Buonanotte.
Mais sobre Bassano? Leia esse
post.
Segunda, 21 de fevereiro de 2011
Chegamos a mais um dia de jornada.
Após uma viagem de 4 horas de trem entre bosques e Dolomitas, estamos agora em
Cortina d'Ampezzo. Lugar surreal. Como qualquer brasileiro, a gente está bobo com a neve e as montanhas. A cidade é super aconchegante e pequeninha. E tudo aqui gira em torno do ski e dos esportes de inverno. A arquitetura é deslumbrante e, podem me chamar de bairrista, mas me lembrou a arquitetura germânica de
Gramado, Canela e Nova Petrópolis. Estamos amando estar aqui e por isso, decidimos ficar até quarta, para aproveitar bem toda essa beleza.
Claro que
Cortina d'Ampezzo terá um
post especial só dela aqui no
blog. Mas isso vai requerer um tempo (merecido) para comentar sobre o hotel (recomendadíssimo), sobre as estações de esqui e restaurantes.
Por enquanto, vai uma foto que tirei ao chegar no nosso hotel. Essa é a vista da sacada do nosso quarto. O hotel é exatamente na avenida principal, em pleno centro. E acreditem, custou barato.
Beijos e até amanhã!
Terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Hoje o dia foi super. A primeira razão para isso é que não tropecei nenhuma vez no degrau do banheiro (só ontem foram 4 vezes). Acordamos cedinho e partimos para uma estação de ski para fazer umas fotos (e não para esquiar). Entramos no bondinho e subimos rumo às montanhas com aquelas caras de bobos, em meio a todos aqueles paredões branquinhos. A primeira vez nas montanhas é inesquecível. Que atire a primeira pedra quem também não se emocionou. Lá em cima caminhamos na neve, fotografamos a neve, olhamos a neve, brincamos na neve, enfim. Dois bobos felizes, hehe.
Após algumas horas, descemos para cidade e fomos patinar. E quando eu estava toda feliz por estar conseguindo me equilibrar sobre os patins, olhei para o lado e vi uma menina de quatro anos fazendo mil piruetas e girinhos e coisinhas. Pensei: “Quando crescer quero ser igual a ela”!!! =D
Brincadeiras a parte, até que me sai bem no gelo. Como já andei bastante de patins de rodinha, penso que minha memória me ajudou. O Bruno se saiu melhor que eu e fez até frescurinhas (mas levou altos tombos também, hehe).
Depois de duas horas de patinação intensa, voltamos para o hotel. Daqui a pouco vamos sair para comer alguma coisa. Como bons farofeiros, estamos apenas com o café da manhã na barriga e a fome está apertando. Além disso, tenho que lavar meias e camiseta na pia do banheiro. Essa coisa de viajar só com uma mochila é complicado (ainda mais no inverno). É exercício de abdicação total de qualquer vaidade feminina. Estou usando praticamente as mesmas roupas desde sábado e lavando o cabelo com sabonete (farofeira, sim, mas pelo menos limpinha)!
Amanhã nos despedimos da cidade e retornamos para Bologna e para o trabalho (acumulado). Esse lugar vai deixar saudade... muita! Veja este
post com mais detalhes sobre Cortina d'Ampezzo.
Quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Oi pessoal. Nosso tour chegou ao fim. Finalmente chegamos em casa. Saimos do hotel em Cortina pelas 11hs. A manhã estava linda e o sol convidava a gente a ficar mais um pouquinho. Pena que não foi possível. Saimos de lá em um ônibus que nos levou até a cidade de Calalzo, onde pegamos um trem 'pinga-pinga 'até Bologna (no total foram 7hs de viagem para cerca de 300 km de distância percorridos, aff!!!).
Chegando em Bologna, ainda tivemos que andar 15 minutos até o ponto de ônibus e, acreditem, aguardamos mais de 45 minutos para subir no único que nos trás até o nosso bairro. Confesso que nunca peguei um ônibus tão lotado. Em Porto Alegre, nem o T1 em horário de pico ou o T2 em dia de jogo do Grêmio consegue ser pior. Uma vergonha!
Os bologneses costumam dizer que pertencem ao norte rico da Itália e desdenham das provincias do sul , dizendo que lá sono altri paesi (sic), pouco desenvolvidos, pobres e bagunçados. Confesso que a realidade do norte da Itália é realmente diferente. Tudo mais organizado, as cidades mais limpas, com serviços melhores (e nem por isso mais caros). Mas Bologna definitivamente não é assim! Não é mesmo!
Estavamos pensando em ir até Napoli, Puglia, Sicília pra conhecer. o sul.. mas acho que ficará para uma próxima. Vamos aproveitar estes dois meses que restam (e a chegada do nosso
permesso di soggiorno) para visitar outros países. Já conheci Itália, agora quero conhecer a Europa, hehehe!
Quando estava no Brasil, vi um video no Youtube que me fez rir muito (abaixo). Mas, mesmo cômico, ele parecia absurdo e irreal. Eu disse parec
ia. Agora, entendo porque se trata de um sucesso, com quase 500 mil visualizações.
Não me refiro apenas ao ônibus lotado e atrasado. Mas também falo das pichações em prédios históricos, da sujeira nas ruas, da quantidade de bitucas de cigarro jogadas por todo o canto, da furação de fila, da burocracia, dos problemas sociais, etc (P.S: Esse é só desabafo, pois independente de qualquer coisa, a Itália é linda e vale a pena ser visitada, sempre!).
Italy VS Europe - The Comparison
Parabéns, pelas oportunidades de viagem que já teve e por compartilhar com todos..
E ótimo blog !